Hypnose Senses
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Hypnose Senses



Hypnôse Senses


Eu tive, enfim, a oportunidade de testar o novo bebê Lancôme, Hypnôse Senses - variação de um dos top-sellers da marca, Hypnôse. Não escondo a minha surpresa ao constatar que Lancôme foi capaz de produzir uma das mais agradáveis fragrâncias dos últimos meses.

Ao contrário de seu irmão mais velho, Hypnôse Senses prima pela suavidade e discrição. Nada do exotismo de notas de maracujá na abertura, nem da baunilha avançando bravamente. Para apreciar Hypnôse Senses, deve-se evitar comparações com Hypnôse.

A abertura de Senses evoca conforto. A mistura do almíscar com um levíssimo toque ambarado, temperado por uma tímida nota de pimenta rosa traz a mente imagens de peças de seda. A delicadeza e elegância do tecido poderiam muito bem traduzir os primeiros estágios da fragrância.

A união entre o osmanthus e a mandarina compõe um acorde frutal, que sugere uma vaga familiaridade com a versão original, Hypnôse. Essa faceta frutal, juntando-se a abertura almiscarada, e a uma ponta de mel e rosas, criam um floral cremoso, de uma doçura controlada. Depois dessa fase, Senses parece voltar ao primeiro estágio, caracterizado por uma aura de aconchego. O benjoim e o patchuli são figuras comedidas, sendo a presença do último, dificilmente notada. Um ligeiro registro atalcado, devido provalmente a presença do cumaru (fava tonka), faz-se sentir ao fundo.

Eu já escutei comentários sobre uma possível similaridade com Coco Mademoiselle, de Chanel, e devo dizer que não vejo nenhum traço comum. Ok, ambas contam com o patchuli Indonésio entre as notas de base. Entretanto, o patchuli tem um caráter vivo, doce e proeminente em Coco Mademoiselle, enquanto em Senses é a pena discernível. Coco Mademoiselle e Hypnôse Senses são, a meu ver, duas fragrâncias completamente distintas.

O frasco foi inspirado na criação de Georges Delhomme para o perfume Magie, um clássico dos anos 50.

Criada por três perfumistas, Christine Nagel (Délices de Cartier), Ursula Wandel (B, de Boucheron) e Nathalie Feisthauer (Blonde, de Versace), essa eau-de-toilette imerge de um universo feminino, onde uma certa ternura intimista reina. A personalidade jovial da gentil Beth March, do romance Little Women, de Louisa May Alcott, reproduz-se nos eflúvios de Senses. Beth era dotada de uma alegria serena e tranquila, tal como o efeito final de Hypnôse Senses.

Anunciado como um floral-chypré, Senses foge a regra de poder olfativo que o qualificativo "chypre" confere. O efeito sillage é mínimo, e a fragrância permanece perto do corpo, como uma segunda pele. Se eu tivesse que resumir Senses em poucas palavras, diria: um leve floral almiscarado cremoso, com uma meiga faceta frutal - uma fragrância bem confeccionada, cujo único defeito foi o fraco poder de fixação, na minha pele.

Envolvente, suave e reconfortante, a nova criação de Lancôme baseia-se no conceito de singeleza e elegância contida, tendo as qualidades necessárias para cativar uma audiência jovem.


Ilustrações ~ à direita - Little Women - Meg, Jo, Beth e Amy
~ à esquerda - capa do livro Little Women, de Louisa May Alcott, coleção Signet Classics







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